Naquela choça junto a uma estrada Velho carreiro a solidão curtia Porque a boiada velha dos seus anos Já não consegue mais puxar seus dias
Mas na parede traz de pendurado Velho ferrão com que tocava os bois Qual uma seta apontando o espaço Lembrando o tempo bom que já se foi
Todo o diploma de carreiro é seu ferrão Dentro das páginas do livro do sertão
De uma coisa lembra sem remorso De nunca ter judiado os bois de carro Só balançava o ferrão e os bois Jamais deixaram atolar no barro
Quem foi carreiro hoje passou ser boi Porque a vida é pegou o ferrão E pela estrada da saudade amarga Vai ferroando o seu coração
Todo o diploma de carreiro é seu ferrão Dentro das páginas do livro do sertão
Ferrão de aço, vara de marfim Igual agulha que bordou no tempo Toda uma vida de trabalho e luta Que nunca teve reconhecimento
Só ajudou enriquecer o patrão E ele mesmo envelheceu sem nada Mas mesmo assim ele tem orgulho Por já ter sido o campeão da estrada
Todo o diploma de carreiro é seu ferrão Dentro das páginas do livro do sertão
(Pedro Paulo Mariano - Santa Maria da Serra-SP)
Compositores: Jose Fortuna (Ze Fortuna) (UBC), Jose Plinio Trasferetti (Paraiso) (UBC)Editor: Peermusic do Brasil (UBC)ECAD verificado obra #37050 e fonograma #261884 em 06/Abr/2024 com dados da UBEM