Antigamente, nem em sonho existia Tantas pontes sobre os rios Nem asfalto nas estradas
A gente usava quatro ou cinco sinuelos Pra trazer o pantaneiro No rodeio da boiada
Mas hoje em dia tudo é muito diferente Com progresso nossa gente Nem sequer faz uma idéia
Que entre outros fui peão de boidaeiro Por este chão brasileiro Os heróis da epopéia
Tenho saudade de rever nas currutelas As mocinhas na janela Acenando uma flor
Por tudo isso eu lamento e confesso Que a marcha do progresso É a minha grande dor
Cada jamanta que eu vejo carregada Transportando uma boiada Me aperta o coração
E quando olho minha traia pendurada De tristeza dou risada Pra não chorar de paixão
O meu cavalo relinchando pasto afora Que por certo também chora Na mais triste solidão
Meu par de esporas, meu chapéu de aba larga Uma bruaca de carga O berrante e o facão
O velho pasto, o sinete e o apero O meu laço e o cargueiro O meu lenço e o gibão
Ainda resta a guaiaca sem dinheiro Deste pobre boadeiro Que perdeu a profissão
Não sou poeta, sou apenas um caipira E o tema que me inspira É a fibra de peão
Quase chorando, embuido nessa mágoa Rabisquei estas palavras E saiu esta canção
Canção que fala da saudade das pousadas Que eu já fiz com a peonada Junto ao fogo de um galpão
Saudade louca de ouvir o som manhoso De um berrante preguiçoso Nos confins do meu sertão
Compositores: Alcides Felisbino de Souza (Nono) (AMAR), Elias Costa de Andrade (Indio Vago) (SBACEM)Editor: Editora Musical Corisco Ltda (AMAR)Publicado em 1981 (17/Nov)ECAD verificado obra #948 e fonograma #401820 em 10/Abr/2024 com dados da UBEM