Cada verso é um semente No deserto do meu peito E onde rompe a grama verde Vou deitando o desalento
No largo de alguma boca No rasgo de algum sorriso No gesto de algum lampejo Na rima de um improviso Nas curvas de uma morena Na reta do meu desejo Na relação entre corpos Na paz do último beijo
Cada verso é uma semente No deserto do meu peito E onde o verde não verdeja Não deito o meu desalento
Na rasgo dos grandes feitos No largo de um só caminho No brilho dos castiçais No canto do passarinho No garfo do deus-diabo Na faca dos divididos Na taça dos taciturnos No prato dos oprimidos
Cada verso é uma semente No deserto do meu peito Mas se do ventre do verde Não verdece algum rebento
No rasgo do meu poema No largo de imagens mortas Num gesto claro de outono Na rima de folhas soltas Na curva de novos versos Na reta da revivência Na relação dos desertos Eu cravo a minha insistência
Hoje o verso é uma semente Do meu peito num deserto Verde que te quiero verde Mas não há verde por perto
Compositor: Joao Lutfi (Sergio Ricardo) (ABRAMUS)Editor: Peermusic do Brasil Edicoes Musicais Ltda (UBC)Publicado em 1994 (13/Jun)ECAD verificado obra #1905313 e fonograma #634970 em 03/Abr/2024 com dados da UBEM