Tempo que não dá sossego Carrega o ponteiro um tic-tac surdo Tempo que não tolera atraso Nega o próprio prazo Intento ao absurdo
Tempo que nos orienta Alimenta tudo que ostenta a máquina Tempo que nos aprisiona E nos abandona no espaço que se cria
Espaço-tempo, esparso vento Leva rente ao peito o sopro que lhe criou
Tempo, não venha reclamar ou me dizer Como andar, quando correr Nunca deixe de passar sem pressa Seguindo o mar
Tempo que em devaneios Corre em desespero rumo ao nada O homem engarrafou as horas Pra se conformar com seu finito ser
Tempo duro como as brasas Que agora, apagadas, não produzem mais luz Tempo que carrega as chagas Traz consigo as pragas e a tudo conduz
Há tempos que ninguém se acha E o tempo despacha tudo rumo ao amanhã Tempo que esconde a noite Pra poder aparecer o brilho da manhã
Compositor: Rafael Pereira Dutra (Rafael Dutra) (UBC)Publicado em 2014 (01/Ago) e lançado em 2014 (04/Out)ECAD verificado obra #10805735 e fonograma #9277298 em 10/Mai/2024 com dados da UBEM