O DJ Alok afirmou que se ofereceu para bancar o transporte de comunidades indígenas até as urnas no 2º turno das eleições, neste domingo (25), mas foi informado de que a legislação eleitoral proíbe esse tipo de apoio privado. Diante do impedimento, o artista cobrou publicamente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A manifestação foi publicada na rede social X nesta sexta-feira (23). Segundo o músico, o assunto chegou até ele por meio de relatos de aldeias sem estrutura para garantir o deslocamento dos eleitores no dia da votação.

"Fui informado de que muitas aldeias indígenas estão enfrentando dificuldades logísticas e falta de recursos para que seus povos possam votar no domingo", escreveu. "Logo me prontifiquei a pagar pelo transporte, porém a legislação eleitoral proíbe esse tipo de apoio privado neste período."

No texto, Alok direcionou cobranças ao TSE, às prefeituras e aos órgãos da Justiça Eleitoral para que assegurem o acesso das comunidades aos locais de votação. "Os povos indígenas ajudaram a construir a história deste país e não podem ser excluídos das decisões que vão definir o seu futuro", declarou.

Ele encerrou a publicação com um apelo direto à corte eleitoral: "A democracia não começa na contagem dos votos, começa garantindo que todos possam chegar às urnas. Contamos com o Tribunal Superior Eleitoral neste momento."

Ativismo de longa data

A posição acompanha a trajetória do artista, reconhecido pelo engajamento em causas ambientais e indígenas. Ele integra a lista da revista Time com os 100 líderes climáticos mais influentes do mundo e mantém trabalhos com povos originários há anos.

Em 2024, o DJ lançou "O Futuro É Ancestral", álbum produzido em parceria com oito etnias indígenas brasileiras e indicado ao Grammy Latino. A carreira segue em alta no cenário internacional, como mostramos quando "Hear Me Now" se tornou a primeira música 100% brasileira a atingir 1 bilhão de streams no Spotify.

Pressão sobre o transporte de eleitores

A fala surge em meio a uma série de cobranças por soluções para o deslocamento de eleitores indígenas. Na quinta-feira (22), a 5ª Vara da Justiça Federal no Pará determinou que a União adotasse, em até 24 horas, medidas para garantir o transporte aéreo, fluvial ou terrestre dessas comunidades em todo o país.

Antes disso, em 9 de outubro, as deputadas federais Sonia Guajajara (PSOL-SP) e Célia Xakriabá (PSOL-MG) enviaram ofício ao TSE pedindo providências urgentes. Elas citaram relatos de transporte insuficiente e inadequado em estados como Minas Gerais, Mato Grosso, Amapá, Pernambuco e Amazonas.

A legislação eleitoral assegura o transporte de moradores de territórios indígenas, comunidades quilombolas e outras populações tradicionais, independentemente dos limites dos municípios, com o serviço organizado pela Justiça Eleitoral.