A música popular brasileira perdeu uma de suas vozes do interior paulista. Letícia Nicolielo, cantora, violonista, compositora e produtora, morreu na quarta-feira (21), em Indaiatuba, aos 48 anos. A notícia foi divulgada pela família no perfil oficial da artista no Instagram.

A causa não foi informada, mas Letícia convivia desde o fim de 2019 com um condrossarcoma, tipo raro de câncer que se forma na cartilagem e pode alcançar os ossos. Em um relato recente, ela havia contado sobre o agravamento do quadro.

Uma carreira iniciada na adolescência

O interesse pelo violão apareceu cedo, por volta dos 11 anos. Aos 18, Letícia já subia aos palcos de bares de Indaiatuba e Campinas, no começo de uma trajetória que se estenderia por cerca de três décadas.

Nesse período, passou por temporadas de inverno em Campos do Jordão e por verões em restaurantes de Paraty, no litoral fluminense. Em 2012, lançou seu primeiro CD autoral, com faixas inéditas, e manteve um repertório que transitava entre o samba, a bossa nova e composições próprias, sempre fiel à tradição da MPB .

Homenagem a Cássia Eller

Entre seus projetos de maior destaque estava o espetáculo "Eller, a Eterna Garotinha", um tributo a Cássia Eller. Estreado em 2014, em Indaiatuba, o show reunia releituras da cantora carioca e passagens sobre sua vida e obra.

Letícia também cultivou laços estreitos com a cena cultural da própria cidade. Em nota, a Secretaria Municipal de Cultura de Indaiatuba lamentou a morte e recordou a presença da artista em eventos como o Maio Musical e o Festival de Inverno.

A luta contra um câncer raro

Em um relato publicado em 2 de outubro, a cantora contou que estava internada havia cerca de cinco meses e que os tumores haviam aberto feridas no braço e no ombro, deixando-a sem conseguir andar. Ela agradeceu o apoio da companheira, Gabriela, que a acompanhou durante o tratamento.

O velório ocorreu na própria quarta-feira, das 13h às 18h, na Vila Brizzola, em Indaiatuba. Após a cerimônia, o corpo foi cremado.