O R&B perdeu uma de suas vozes mais marcantes. Freddie Jackson, dono de baladas que embalaram gerações de apaixonados nos anos 1980, morreu na última segunda-feira (5), aos 70 anos. A confirmação veio pelas redes sociais do cantor, que não informaram a causa da morte.

Em comunicado, a família prestou homenagem ao artista. "Freddie era mais do que uma voz lendária. Era uma alma gentil e generosa, que amava seus fãs, sua família, seus amigos e sua música com tudo o que tinha", diz o texto. Os detalhes do funeral serão divulgados posteriormente.

Da igreja ao estrelato

Nascido no Harlem, em Nova York, Freddie Jackson começou cantando em corais gospel antes de integrar brevemente o grupo Mystic Merlin, na Costa Oeste dos Estados Unidos. De volta à sua cidade natal, foi descoberto pela cantora Melba Moore em um clube noturno.

Ela o contratou como backing vocal e compositor e ajudou o jovem talento a fechar contrato com a Capitol Records. Juntos, gravaram "A Little Bit More", que chegou ao topo das paradas de R&B e selou uma amizade de décadas.

"Meu coração está partido com a perda de um grande cantor e um amigo ainda maior", declarou Melba Moore. "Tínhamos uma relação muito especial. Vou sentir falta do meu querido amigo para sempre. Descanse em paz, Freddie."

O reinado nas paradas

A fama chegou com o álbum de estreia, "Rock Me Tonight" (1985), que liderou a parada de R&B da Billboard por 16 semanas seguidas e recebeu certificado de platina. Dele saíram sucessos como "Rock Me Tonight" e "You Are My Lady".



O disco ainda rendeu duas indicações ao Grammy. Os três álbuns seguintes, "Just Like the First Time" (1986), "Don't Let Love Slip Away" (1988) e "Do Me Again" (1990), repetiram o primeiro lugar no R&B e emplacaram uma sequência de singles número um.



Entre eles estão "Tasty Love", "Have You Ever Loved Somebody", "Jam Tonight" e "Nice 'N' Slow", que lhe garantiu um American Music Award.



Legado do love man

A ascensão do new jack swing e do hip-hop reduziu seu domínio nas paradas nos anos 1990, mas Freddie Jackson seguiu lançando discos. Comparado a Luther Vandross, era celebrado como um intérprete íntimo, feito para quem gosta de dar as mãos em um show.

Sua influência atravessou gerações. Big Boi, do Outkast, imortalizou o cantor em um verso de "So Fresh, So Clean". "Minha música é para quem gosta de ficar de mãos dadas em um show, é algo íntimo", disse Jackson ao New York Times em 1989.