Anitta foi coroada rainha de bateria da Grande Rio neste domingo (20), mas o momento que roubou a cena foi a escolha de quem colocou a coroa em sua cabeça: Eloína dos Leopardos, de 80 anos, apontada como a primeira rainha de bateria da história do carnaval carioca, e não a antecessora no posto, Virginia Fonseca.



A cantora transformou a cerimônia na quadra da escola em um verdadeiro show, subindo ao palco antes de receber a faixa. A decisão de não ser coroada por Virginia tem uma explicação religiosa: adepta do candomblé desde 2013, a Poderosa segue preceitos ligados ao seu orí e não permite que qualquer pessoa toque sua cabeça.

Mas afinal, o que é o orí? Na tradição iorubá e nas religiões de matriz africana, o termo representa a cabeça, a consciência e o destino de cada pessoa, ocupando um papel central na relação com o sagrado. Por carregar tamanha importância espiritual, esse ponto do corpo só pode ser tocado por quem está devidamente preparado.

Segundo essa visão, mãos alheias e despreparadas poderiam romper o equilíbrio espiritual da pessoa, carregando sentimentos e vibrações capazes de afetar diretamente sua energia vital. Por isso Anitta fez questão de entregar o gesto a Eloína, uma referência histórica do samba, e não a uma figura de fora desse universo.





Antes de assumir o posto na escola de Duque de Caxias, a artista se dedicou à preparação e teve aulas de samba no pé com rainhas de bateria de outras agremiações. O novo desafio no carnaval carioca chega em um momento de intensa atividade musical da cantora, que recentemente lançou o projeto audiovisual "EQUILIBRIVM II", com 17 faixas.