Difícil imaginar o autor de "American Idiot" recusando o rótulo de artista político, mas foi exatamente o que Billie Joe Armstrong fez. Em entrevista ao LA Times, o vocalista do Green Day afirmou que o grupo "não é uma banda política", contrariando boa parte da própria história.
(Foto: Samuel Bayer / Green Day Instagram)

Ao relembrar os primeiros anos, quando lançou o best-seller "Dookie" (1994), Armstrong descreveu uma banda movida por angústia e tédio, não por bandeiras. "Nós não éramos nada sobre política, mesmo vindo de uma cena combativa. Era só uma época muito louca", disse.

A virada veio dez anos depois. Segundo o vocalista, "American Idiot" "veio do nada", empurrada pelo clima pós 11 de setembro e pela Guerra do Iraque. "Foi feito com o coração e a partir de um lugar de total confusão sobre por que o mundo está mudando, esse lugar sombrio e feio, e acho que isso soa verdadeiro, especialmente agora", afirmou.

Para Armstrong, o que guia as canções é emoção, não militância. "Nós somos definitivamente combativos, mas as músicas são muito pessoais e documentam onde você está naquele momento específico da sua vida", explicou, resumindo por que rejeita o rótulo.

No papo, o músico ainda abriu espaço para o futebol. Ele contou ter sentido orgulho dos Estados Unidos ao acompanhar a Copa do Mundo, sediada neste ano por EUA, Canadá e México. "Senti que a Copa do Mundo fez mais do que a ONU fez nos últimos 20 anos, foi uma coisa realmente bonita", declarou.

A fala reacende uma tensão antiga na trajetória do trio. Faixas como "Holiday", "Boulevard Of Broken Dreams" e "Wake Me Up When September Ends" ajudaram a colar no Green Day a imagem de porta-voz de uma geração inconformada.

Fora dos discos, o vocalista também não economizou nos posicionamentos nos últimos anos, de discursos contra Donald Trump em festivais a críticas às ações do ICE. Mesmo assim, ao lado de Mike Dirnt, ele insiste que o coração, e não a política, é o combustível das músicas.

O timing da declaração tem contexto: o Green Day estreia em 14 de agosto o filme de comédia "Nimrods", inspirado nos primeiros anos de estrada da banda. "Você tem que ser meio delirante para estar numa banda. Exige um certo tipo de sonhador", brincou Armstrong sobre o longa.