Dezoito anos depois de sobreviver a um acidente aéreo, Travis Barker resolveu abrir um capítulo doloroso: a filha Alabama sentiu que algo daria errado antes mesmo de o avião decolar. O relato veio no episódio de 10 de agosto do podcast "On Purpose with Jay Shetty".
(Foto: Phillip Faraone/Getty Images for boohooMAN)

O baterista do Blink-182, de 50 anos, contou que quase desistiu da viagem. Na quinta-feira anterior ao show, chegou a perguntar ao empresário se ainda dava tempo de cancelar a apresentação.

"Eu estava tão contente em ficar em casa com as crianças, e ele disse, 'Cara, você não pode cancelar tão em cima da hora.' Então, acabei viajando para lá", relembrou Barker.

Mas foi a despedida da filha Alabama, hoje com 20 anos, que ficou gravada nele. "Eu me despeço da Bama. Ela era pequena na época. Ela dizia, 'Não vá, pai!' Estava chorando muito, e ela normalmente não faz isso. Ela dizia, 'O teto vai se soltar,' e eu pensava, 'Do que ela está falando?'"

O músico se apresentava perto da Universidade da Carolina do Sul em 19 de setembro de 2008, quando fretou um jato particular para ir e voltar de Los Angeles. A decolagem só estava prevista para o dia seguinte, mas a pressa do grupo levou todos a reservar o voo de última hora.

Ao chegar ao aeroporto perto da meia-noite, Barker viu um avião "bem pequeno" e teve uma sensação "horrível". Ligou para o pai, que o aconselhou a embarcar mesmo assim.

"Entrei no avião, mas sabia que algo estava errado. Cheguei a dizer ao meu pai, 'Se algo acontecer comigo, por favor, cuide para que as crianças fiquem bem.' Eu estava falando demais. Todos os sinais estavam ali", disse.

Estavam a bordo o baterista, o amigo e DJ Adam "DJ AM" Goldstein, o assistente Chris "Lil Chris" Baker, o segurança Charles "Che" Still, e os dois pilotos, Sarah Lemmon e James Bland. Só Barker e Goldstein sobreviveram, ambos feridos. As outras quatro pessoas morreram.

Goldstein não resistiu por muito tempo: morreu cerca de um ano depois, aos 36 anos. Por causa do caráter improvisado do voo, Barker não conseguiu fazer as perguntas de rotina sobre os pilotos e a manutenção da aeronave.

Hoje, o músico garante que agiria de outro jeito. "O eu mais velho de hoje simplesmente diria, 'Acho que não vou entrar nesse avião.'"