Antes de subir aos palcos cariocas com a própria turnê, Rosalía resolveu ocupar a plateia. A cantora espanhola apareceu sem aviso no segundo dia do festival Doce Maravilha, neste domingo (9), no Jockey Clube Brasileiro, na Gávea, para assistir ao show de um artista que ela sempre fez questão de exaltar: Caetano Veloso.
(Foto: Reprodução X)

A visita acontece em meio a uma temporada movimentada da espanhola no Rio. Dona de faixas como "Despechá" e "La Fama (With The Weeknd)", ela sobe ao palco da Farmasi Arena nesta segunda (10) e na terça (11), com a "LUX Tour", giro de divulgação do disco lançado no fim de 2025. Quem quiser se organizar pode conferir o guia de shows do Brasil em 2026 e 2027.





O apreço da artista pela obra brasileira não é novidade. No fim de 2025, ela passou pela cidade para uma audição especial do álbum no Cristo Redentor e, no programa "Conversa com Bial", chegou a cantar "Águas de Março" arriscando o português. Neste domingo, foi a plateia que a viu de perto, acompanhando cada momento da apresentação.

Caetano e Emicida se reencontram sob chuva

O show que atraiu a espanhola tinha um capítulo à parte: depois de nove anos, Caetano e Emicida voltaram a dividir o palco na atração principal da noite. O baiano começou a apresentação sob forte chuva, situação parecida com a que enfrentou na edição de 2023 do mesmo festival, quando o temporal atrasou o espetáculo por horas.

Desta vez, o repertório mergulhou na fase oitentista da carreira. Acompanhado por oito músicos, Caetano passou por "Branquinha", de "Estrangeiro" (1989), "Podres Poderes", de "Velô" (1984), e "Eclipse Oculto", de "Uns" (1983), sem abrir mão de clássicos como "Gente", "Sozinho" e "Divino Maravilhoso".

Ao convidar o rapper, Caetano falou da alegria de estar ao lado de "um dos acontecimentos mais importantes da cultura brasileira recente". Emicida, por sua vez, brincou que trouxe a garoa de São Paulo porque "São Pedro queria vivenciar esse encontro". A parceria vem de longe: os dois se cruzaram pela primeira vez em 2013, na área externa do Auditório Ibirapuera, e Caetano já havia gravado com o rapper as faixas "Baiana" e uma releitura de "Mandume".

Juntos no palco, os dois emendaram "Baiana", "Mandume" e "Outras Palavras", além de reeditarem o jogo entre "A Bossa Nova É Foda" e "O Hip Hop É Foda". Perto do fim, Emicida voltou para o samba-enredo "É Hoje", e Caetano encerrou com "Odara".

Outros destaques da noite

A programação teve ainda Falamansa e uma dobradinha de celebrações: Sandra de Sá comemorou os 40 anos de seu disco de 1986, com um apanhado de sucessos como "Vale Tudo (Part. Tim Maia)", "Bye Bye Tristeza" e "Olhos Coloridos".

Os Paralamas do Sucesso também festejaram quatro décadas, apresentando o álbum "Selvagem?" na íntegra. A banda de Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone puxou o público com "A Novidade", "Alagados" e "Lanterna Dos Afogados", antecipando o show marcado para o C6 no Rock, no Ibirapuera, nos dias 22 e 23 de agosto.