Um dos nomes revelação do pop nos últimos anos, D4vd terá de se sentar no banco dos réus. Uma juíza da Califórnia entendeu que há provas bastantes para submeter o cantor, nascido David Anthony Burke, hoje com 21 anos, a um júri popular pela morte da adolescente Celeste Rivas Hernandez, de 14. Ele responderá por homicídio doloso, abuso sexual continuado de menor e mutilação de cadáver, e a promotoria estuda pedir a pena de morte.
(Foto: Jordan Strauss / Invision / AP)

A determinação encerrou uma audiência preliminar que se estendeu por cinco dias, na qual o Ministério Público expôs parte das evidências reunidas. Burke acompanhou tudo preso, sem direito a fiança, e nega cada uma das acusações.

Por que a pena capital está na mesa

O que abre essa possibilidade são as chamadas "circunstâncias especiais", aceitas pela juíza Charlaine Olmedo. Ela reconheceu três: interesse financeiro por trás do crime, uma emboscada armada de antemão e a hipótese de que a jovem foi silenciada por ser testemunha. Na legislação californiana, esse conjunto de agravantes coloca o acusado, se condenado, diante de duas penas possíveis — a morte ou a prisão perpétua sem chance de liberdade condicional. A escolha por pedir ou não a execução ainda não foi feita pela acusação.

O móvel apontado pelos promotores tem a ver com a carreira do artista. Às vésperas de lançar seu álbum de estreia, "Withered", D4vd estaria sob pressão de Celeste, que teria ameaçado tornar público o envolvimento entre os dois. Para a acusação, a exposição poderia derrubar um projeto musical em plena decolagem. As mensagens trocadas antes da morte ancoram essa tese.

O que dizem os autos sobre a noite do crime

De acordo com o material apresentado, em 22 de abril de 2025 a adolescente disparou mensagens em que prometia "acabar com a carreira e a vida" do cantor. Vinte e quatro horas depois, sustenta a promotoria, foi Burke quem custeou uma corrida de aplicativo para trazê-la de Lake Elsinore até a casa dele, em Hollywood.

O último sinal de vida partiu de dentro do carro, ainda a caminho: "querida, estou quase aí; abre a porta se estiver em casa". A partir dali, o celular emudeceu. A autópsia concluiu que Celeste foi golpeada com faca no tórax e no abdômen. O desfecho só viria à tona meses mais tarde: com o cantor em turnê, seu corpo, já desmembrado, apareceu no porta-malas de um Tesla emplacado no nome do músico.

A linha de defesa e a resposta da família

Representado por Blair Berk e Marilyn Bednarski, o cantor teve sua defesa concentrada em contestar a premeditação. As advogadas apontaram furos na cronologia e lembraram que motosserras recolhidas na garagem passaram por perícia sem revelar sangue. Alegaram, ainda, que Celeste teria mentido sobre a idade que tinha.

A reação da família da vítima foi dura. Pelo advogado Patrick Steinfeld, os parentes chamaram a tática de "perturbadora" e se disseram "horrorizados" com o esforço de pôr em xeque as provas. O processo vem sendo acompanhado de perto desde o momento em que a juíza validou as evidências.

O calendário do processo

A próxima parada é 31 de agosto, quando Burke deve ser formalmente indiciado; a partir daí, o júri pode ser instalado em até 90 dias. Nathan Hochman, à frente da acusação, avisou que o que veio à tona na audiência é "apenas uma pequena fração" do que pretende levar a julgamento.

Entre juristas ouvidos pela imprensa dos Estados Unidos, a leitura é de que um acordo é pouco provável diante do peso do que foi reunido. "A defesa não tem muito poder de barganha", resumiu o advogado David Ring ao canal NewsNation.