A relação entre Fafá de Belém e o Rock in Rio voltou a ferver. Zé Ricardo, vice-presidente artístico do festival, disse que a cantora disseminou informações falsas e disse que guarda mágoa dela até hoje.
(Foto: Reprodução Instagram / Reprodução Rock in Rio)

O que começou como uma cobrança por representatividade cultural nas redes sociais virou um atrito público que, anos depois, ainda rende comentários entre os organizadores do maior festival de música do país.

A treta teve início em 2024, quando o evento anunciou o Dia Brasil, data dedicada aos gêneros nacionais (como sertanejo, samba, pop, trap e funk) para celebrar seus 40 anos. Ao ver o primeiro lineup, Fafá foi às redes protestar contra a ausência de artistas da região Norte.

Na publicação, a cantora desabafou que o Norte continuava sendo tratado como um "artigo folclórico usado como e quando querem, para uma imagem cool", criticando o que classificou como uso por conveniência.

Na época, a organização rebateu afirmando que os anúncios do Dia Brasil ainda estavam em construção e que nomes do Norte seguiam em negociação. De fato, artistas como Gaby Amarantos foram confirmados depois.

O capítulo mais recente veio cerca de dois anos depois. Em entrevista a Valmir Moratelli, da Veja, Zé Ricardo externou sua mágoa e classificou a atitude de Fafá como um "protagonismo vazio". Primeiro, ele contou a história sob seu ponto de vista:

"Fafá me mandou uma mensagem anos atrás falando sobre um show no Pará e eu falei: 'olha, tenho muita vontade de fazer um show do Pará. No próximo Rock in Rio a gente conversa. E ela pensou que era papo. Quando estava montando o Rock in Rio dois anos depois, mandei uma mensagem para ela: 'Eu queria fazer um show, estou com uma ideia de fazer um Pará-pop, quero trazer várias gerações do Pará'. [Em 2019] Juntei Fafá, a Dona Onete, Joelma, Lucas Estrela, Gaby Amarantos… Ergui uma bandeira de 3 metros de altura no Palco Sunset para o Pará."

Em seguida, o executivo complementou sobre o episódio do Dia Brasil:

"No Dia Brasil [do Rock in Rio 2024], a gente fez um lançamento da música [oficial da comemoração do dia especial], foi num dia em que estavam centenas de artistas, mas ainda não tínhamos o line-up completo do que seria a apresentação. Anunciei somente os artistas que estavam vendendo ingresso, os que estavam trabalhando, anunciei os headliners… Mas ainda tinha muita coisa para anunciar. Ela tinha o meu WhatsApp, mas preferiu ir para as redes sociais reclamar. Ela quis causar. Não tem fundamento."

Por fim, ele foi direto sobre os critérios do festival e a origem do desentendimento:

"O Rock in Rio não é obrigado a chamar ninguém. Ele chama quem quer, quem ele acha que merece, quem acha que está alinhado. Mas uma coisa ela pode discutir: se ela gosta ou não do meu line-up. Ela não pode discutir sobre o valor da humanidade comigo. Não pode. Por que ela fez isso? Porque não foi chamada para o Dia Brasil, mas os colegas dela foram todos. Ela está falando dela ou está falando do movimento do Norte? Ela pode falar 'estou chateada, não fui chamada', mas não pode falar 'o Norte não tem vaga'. Porque é mentira. É um fato triste. Ficou uma mágoa. Porque ela não perdeu um profissional, perdeu um amigo. Ela disseminou fake news."

Na ocasião, a publicação de Fafá recebeu apoio de nomes como Joelma, Manu Bahtidão e da atriz Dira Paes.