O arrependimento partiu de quem ajudou a moldar o rap dos anos 2010. Em entrevista ao Bryce Crawford Podcast, Nicki Minaj afirmou que se arrepende de parte das letras que escreveu ao longo da carreira e que, se pudesse, voltaria atrás para mudar o conteúdo de faixas antigas. "Se eu pudesse, mudaria", declarou.
(Foto: Reprodução / Bryce Crawford Podcast)

Segundo a rapper, sua música teria contribuído para levar jovens por caminhos que considera equivocados. A crítica mira sobretudo as canções marcadas pela hipersexualidade e pelo materialismo, traços que definiram boa parte de sua discografia desde "Pink Friday", de 2010.

No mesmo papo, Nicki foi além do arrependimento pessoal. Para ela, o rap muitas vezes não aproxima as pessoas de Deus e pode, ao contrário, assumir um caráter que descreveu como "demoníaco". A fala a coloca em posição paradoxal, já que ela ajudou a popularizar justamente o tipo de conteúdo que agora questiona.




As declarações fazem parte de uma transformação pública que a artista vem vivendo nos últimos meses, com aproximação aberta de pautas conservadoras e de uma espiritualidade mais explícita. O movimento inclui desde postagens religiosas nas redes até uma mensagem de aniversário ao presidente Donald Trump.

Reposicionamentos assim não são inéditos no gênero. Nomes como Kanye West e Chance the Rapper já passaram por viradas espirituais públicas que mudaram a relação com a própria obra. No caso de Nicki, a soma entre guinada religiosa e alinhamento conservador torna o gesto mais difícil de interpretar.

A crítica ao conteúdo do rap americano, afinal, é um argumento historicamente associado à direita nos Estados Unidos, que há décadas usa a música como alvo em debates sobre moral e influência cultural. Entre os fãs, a reação se dividiu: parte celebrou a franqueza, parte enxergou um afastamento dos valores que marcaram sua trajetória.

O episódio se junta a outras falas recentes que vêm redesenhando a imagem da rapper. Em fevereiro, ela disse não acreditar que os Estados Unidos pousaram na Lua e, no mesmo podcast, não descartou a existência do Illuminati, ao relatar ter enfrentado o que chamou de "guerra espiritual" na indústria.

A tensão com o passado também aparece fora de suas próprias declarações. No início de junho, como mostramos quando Jay-Z detonou Drake, Kanye West e a própria Nicki em um freestyle ao vivo, a artista voltou ao centro das polêmicas do hip hop.