Daniela Avanzini, de 21 anos, integrante do Katseye, deu o que falar com uma declaração em recente entrevista concedida pelo grupo à revista Allure — edição para a qual as artistas estampam a capa.

Ao refletir sobre sua herança cultural, a cantora de ascendência cubano-venezuelana verbalizou uma experiência de pertencimento duplo que ressoou amplamente nas redes sociais: "Para os americanos e para os brancos, não sou branca o suficiente. Então para os latinos, não sou latina o suficiente."

A declaração, proferida em inglês no original, gerou intenso debate nas plataformas digitais sobre representatividade, identidade cultural e os desafios enfrentados por artistas de herança multicultural no cenário pop global.

O que os fãs falaram?

A declaração gerou respostas imediatas nas redes sociais.

"Ser latina não é uma raça... você pode ser latina e branca, negra ou asiática. Você é branca!!!!", disse um seguidor.

"Você quase entendeu, Daniela. "Latino" não é uma cor de pele, é uma identidade. Latinos podem ser brancos, negros, mestiços, asiáticos ou indígenas. A ideia de que latinos têm um certo tipo de cor de pele é algo típico dos americanos", respondeu outra fã.

"Ela falou algo que faz sentido aqui, mas vocês não estão prontos para essa conversa. Uma latina branca não é vista da mesma forma que uma americana branca. E vocês sabem disso; é só que não gostam da Dani, então preferem se fazer de idiotas", defendeu outro admirador da artista.

O Katseye

O Katseye é resultado de uma colaboração entre a Hybe — multinacional sul-coreana responsável pelo BTS — e a Geffen Records, selo americano pertencente à Universal Music Group. As cinco integrantes, Sophia Laforteza, Daniela Avanzini, Lara Raj, Megan Skiendiel e Yoonchae Jeung, foram selecionadas entre mais de 120 mil candidatas internacionais e passaram por rigoroso treinamento baseado na metodologia K-pop.

O grupo vive um de seus melhores momentos: receberam duas indicações ao Grammy Awards e se apresentaram na cerimônia diante de 14,4 milhões de telespectadores.

Elas também subiram ao palco do Coachella por dois fins de semana consecutivos; e as 27 datas iniciais de sua turnê mundial — vinculada ao próximo EP, "Wild" — esgotaram em menos de 48 horas. Recentemente, o grupo se apresentou no American Music Awards e conquistou três prêmios.

Identidade e representatividade

A temática da identidade não é periférica para o Katseye — ela está no centro do projeto. Com membros de origens filipina, cubano-venezuelana, ganesa-italiana-suíça, indiana e coreana, o grupo foi amplamente celebrado quando sua campanha para a Gap — em que as integrantes dançaram "Milkshake", de Kelis, em looks coordenados — viralizou como resposta a uma campanha de jeans criticada por seu apelo estético excludente. O momento colocou o Katseye no centro do debate sobre diversidade e representação na indústria pop.

Confira o clipe de "PINKY UP", um dos principais singles do grupo: