Há exatamente dez anos, em 21 de abril de 2016, o mundo parou.

Prince — cujo nome completo era Prince Rogers Nelson — foi encontrado inconsciente em um elevador em Paisley Park, seu estúdio e mansão em Chanhassen, Minnesota.

Ele tinha apenas 57 anos. A causa da morte, confirmada meses depois, foi uma overdose acidental de fentanil.

A música popular perdeu naquele dia um de seus maiores gênios: compositor, produtor, multi-instrumentista e performer incomparável que reinventou o pop , o funk e o rock de maneiras que poucos artistas ousaram tentar.

Uma década depois, seu legado segue pulsante. Basta uma nota de "Purple Rain" para que a memória afetiva de uma geração inteira venha à tona.

Recentemente, suas músicas voltaram às paradas globais graças à trilha sonora de "Stranger Things", com "Purple Rain" registrando um aumento de 243% nas reproduções no Spotify — incluindo um salto de 577% entre ouvintes da Geração Z.

O Gênio de Minneapolis nunca deixou de ser contemporâneo.



Um menino prodígio em Minneapolis

Nascido em 7 de junho de 1958 em Minneapolis, Minnesota, Prince mostrou talento musical extraordinário desde criança.

Autodidata, aprendeu a tocar mais de 20 instrumentos e assinou seu primeiro contrato com a Warner Bros. aos 19 anos com total controle criativo sobre sua obra — uma conquista rara para alguém tão jovem.

Seu primeiro álbum, "For You", lançado em 1978, foi inteiramente gravado, produzido e mixado por ele mesmo, estabelecendo o padrão do artista completo que ele seria para sempre.

A virada definitiva veio em 1982 com "1999", disco que trouxe "1999" e "Little Red Corvette", dois clássicos imediatos que misturavam funk, new wave e pop de forma revolucionária.

Prince havia encontrado sua fórmula: música visceral, sensual e eletricamente carregada, com letras que desafiavam convenções.



Purple Rain: o ápice de uma lenda

Em 1984, Prince entregou ao mundo uma obra-prima: o álbum e filme "Purple Rain".

"Purple Rain" não é apenas uma música — é uma experiência. O solo de guitarra final, improvisado e devastador, é considerado um dos maiores da história do rock.

O álbum vendeu mais de 25 milhões de cópias no mundo e rendeu a Prince um Oscar pela melhor trilha sonora original, além de dois Grammy Awards.

"When Doves Cry", primeiro single do disco, foi o mais vendido de 1984 nos Estados Unidos — e quebrou todas as regras ao não ter linha de baixo, uma escolha radical que definiu uma era.



Os 10 momentos mais icônicos de uma carreira eterna

Ao longo de quatro décadas, Prince acumulou momentos que ficaram para sempre na história da música. Relembre os mais marcantes:

1. "When Doves Cry" (1984): o single mais vendido do ano, sem linha de baixo e com arranjo radical que mudou o som do pop para sempre.

2. "Purple Rain" (1984): a mais bela balada de guitarra já registrada, com um solo que parou o tempo e vendeu mais de 25 milhões de cópias no mundo.

3. "Let's Go Crazy" (1984): abertura elétrica do álbum "Purple Rain", com pregação rock que arrancava o público da cadeira em todo show da turnê.

4. "Raspberry Beret" (1985): um dos seus momentos mais pop e descompromissados, com melodia cativante e arranjo colorido que conquistou fãs ao redor do mundo.

5. "Kiss" (1986): batida minimalista e irresistível que chegou ao topo das paradas, provando que Prince era genial com pouquíssimos elementos sonoros.



6. "Sign O' The Times" (1987): reflexão sombria sobre drogas, gangues e AIDS que abriu seu álbum mais ambicioso — canção profética incluída no Hall da Fama do Grammy em 2017.

7. "1999" (1982): hino de festa e reflexão ao mesmo tempo, que ressurge a cada véspera de ano novo como se nunca tivesse envelhecido.

8. "Little Red Corvette" (1982): uma das primeiras músicas de Prince a entrar no top 10 nos EUA, com metáforas ousadas escondidas numa melodia irresistível.

9. "Diamonds And Pearls" (1991): marcou sua transição para os anos 1990 com sonoridade refinada e letras românticas que mostravam sua versatilidade eterna.

10. O Super Bowl XLI (2007): considerado por muitos o melhor show do intervalo da história, Prince tocou sob chuva torrencial num set que incluiu clássicos próprios e releituras de Jimi Hendrix e Foo Fighters. Uma aula magistral de domínio cênico e musical.

O homem além da música

Prince foi muito mais do que um artista: foi um ativista pelos direitos dos músicos. Em 1993, mudou seu nome para um símbolo inominável para protestar contra sua gravadora, a Warner Bros., escrevendo "slave" (escravo) no rosto durante aparições públicas.

Anos depois, recuperou o nome e os masters de sua obra — tornando-se uma inspiração para artistas como Taylor Swift, que travou batalha semelhante décadas depois.

Ele foi pioneiro na distribuição digital de música, lançando álbuns exclusivamente online antes de qualquer outro grande nome da indústria.

Ao longo da carreira, acumulou 38 indicações ao Grammy com sete vitórias, além de um Oscar, um Globo de Ouro e a inclusão no Rock and Roll Hall of Fame em 2004.

Nos cofres de Paisley Park, estima-se que haja centenas — talvez milhares — de gravações inéditas, um tesouro que o mundo ainda está descobrindo aos poucos.

Dez anos depois, a pergunta não é se Prince ainda é relevante. A resposta está nas playlists de adolescentes que nunca o viram ao vivo, nos artistas que o citam como influência máxima, e naquele solo devastador de "Purple Rain" que, toda vez que toca, parece ter sido gravado ontem.

A música de Prince é eterna — e enquanto houver alguém disposto a ouvir, ele nunca vai morrer de verdade.