Durante anos, parte do público apontou o ex-marido de Amy Winehouse, Blake Fielder-Civil, como o principal responsável pelo período mais turbulento da cantora antes de sua morte, aos 27 anos, em 2011.
(Foto: Dave Hogan/Getty )

Agora, em uma nova entrevista, ele volta a falar sobre a relação dos dois e contesta a ideia de carregar sozinho essa culpa.

No podcast We Need to Talk, em episódio publicado na terça-feira (17), Fielder-Civil, hoje com 43 anos, afirmou entender por que muita gente associa a morte de Amy Winehouse ao seu nome, mas disse que isso não corresponde totalmente ao que aconteceu.

“Minha posição hoje é que eu sei que muitas pessoas, especialmente quem consumia a mídia há 20 anos, podem achar que a morte da Amy é minha responsabilidade. Como sempre disse, nunca fujo de responsabilidade. Se eu fiz algo, eu assumo”, declarou.

Em seguida, defendeu que a cantora tomava as próprias decisões: “A Amy tinha autonomia. E de forma alguma é desrespeitá-la ao dizer isso, mas Amy fazia o que queria fazer”, e acrescentou: “E, mesmo quando a bebida começou a prejudicá-la, ela continuou… Ela, na verdade, era uma mulher muito forte.”

Ao relembrar o início do relacionamento, ele contou que conheceu Winehouse em um pub em Londres, por volta de 2001, e disse que a achava uma “mulher linda”.

Segundo ele, no começo nenhum dos dois era “muito ligado às drogas”, e a primeira separação veio quando a bebida dela passou a ser “um pouco excessiva”. O relacionamento de idas e vindas, conforme relatado, inspirou o álbum "Back to Black", lançado em 2006, e o casal se casou em Miami no ano seguinte.

Fielder-Civil também descreveu a ligação afetiva entre eles e separou esse vínculo do tema do vício: “Essas são memórias que são difíceis, para mim, de revisitar. É difícil pra mim, porque ela não está mais aqui. Ela era minha melhor amiga, e nós éramos felizes. E as drogas foram uma parte disso, eventualmente”, disse.

Ele ainda afirmou: “[Mas] o nosso amor não tinha nada a ver com a dependência. E a dependência não tinha nada a ver com o nosso amor. Foi por esse caminho que as coisas foram. Não era quem nós éramos.”

Ele insistiu, na entrevista, que não era dependente químico quando conheceu Amy Winehouse e sustentou que os dois se tornaram viciados juntos.

Amy Winehouse
Amy Winehouse (Foto: Jon Furniss/Getty Images )


Ainda assim, admitiu ter sido quem a apresentou à heroína, embora tenha dito que ela já havia “experimentado” outras substâncias por conta própria. “Eu nunca culpei a pessoa que me deu drogas pela primeira vez. Nunca tentei culpar ninguém. Por que faria isso?”, declarou.

E completou: “Eu nunca entendi: essas pessoas acham que eu forcei a Amy a usar drogas? Não foi isso que aconteceu… Não estou fugindo da responsabilidade, mas essa ideia de facilitar isso diariamente, não. Eu não era o fornecedor.”

Ele citou, ainda, que a fase mais grave do vício dela teria ocorrido enquanto ele estava preso por uma briga em um bar. O casal se divorciou em 2009, mas continuou em contato.

Quando Amy Winehouse morreu — por intoxicação alcoólica acidental e, de acordo com o relato, sem drogas no organismo — ele estava encarcerado. Fielder-Civil disse que conversava com ela com frequência nesse período e afirmou ao apresentador Paul C. Brunson que “nunca, nem em um milhão de anos, teria deixado ela simplesmente ficar sentada bebendo o dia inteiro.”

No dia da morte, ele relatou ter tentado ligar duas vezes para a casa dela e não ter conseguido, até ser informado do ocorrido por agentes da prisão. “Quando estive na prisão pela primeira vez, eu não sou uma pessoa religiosa, mas costumava rezar todas as noites. Eu dizia: ‘Por favor, deixe a Amy permanecer viva até eu sair.' Porque eu tinha um medo enorme, um medo absoluto de perda de controle, de que algo fosse acontecer com ela enquanto eu estava ali dentro, sem poder fazer nada, ajudar ou sequer estar presente”, lembrou.

Sobre a notícia, descreveu: “Meu primeiro pensamento foi: ‘Este é o meu pior pesadelo. Não é verdade.'… Minha cabeça ficou atordoada imediatamente… Eu caí no choro.”

Sem poder ir ao funeral por causa da pena, ele disse que demorou a lidar tanto com a perda quanto com o peso das acusações públicas. “Eu nunca, jamais estou aqui para dizer: ‘Amy era ruim.' Mas eu sei que Amy não gostaria que eu ainda estivesse aqui, 20 anos depois, dizendo que foi tudo culpa minha”, afirmou.

E concluiu com o que acredita que ela diria: “Ela diria: ‘Fale a real, amor. Vamos. Conte a verdade.' Nós éramos apenas jovens dependentes na época. Não éramos no começo, depois nos tornamos — e isso poderia acontecer com qualquer pessoa.”

Fielder-Civil afirmou estar sóbrio atualmente e em um relacionamento feliz, e disse acreditar que isso deixaria Amy Winehouse “nas nuvens”.