Se a dona se banhou Eu não estava lá Por Deus, nosso Senhor Eu não olhei, Sinhá
Estava lá na roça Sou de olhar ninguém Não tenho mais cobiça Nem enxergo bem
Pra quê me por no tronco Pra quê me aleijar Eu juro a vosmecer Que nunca vi Sinhá
Por que me faz tão mal Com olhos tão azuis Me benzo com o sinal Da Santa Cruz
Eu só cheguei no açude Atrás da sabiá Olhava o arvorero Eu não olhei Sinhá
Se a dona se despiu Eu já andava além Estava na amoenda Estava para Xerém
Por que talhar meu corpo Eu não olhei Sinhá Pra quê que vosmecer Meus olhos vai furar
Eu choro em iorubá Mas oro por Jesus Pra quê que vassumcê Me tira a luz
E assim vai se encerrar O canto de um cantor Um voz no pelourinho E ares de senhor
Cantor atormentado Herdeiro sarará Do nome do renome
De um feroz senhor de engenho E das mandingas de um escravo Que no engenho enfeitiçou Sinhá
Compositores: Francisco Buarque de Hollanda (Chico Buarque) (UBC), Joao Bosco de Freitas Mucci (Joao Bosco) (UBC)Editores: Marola Edicoes (UBC), Zumbido (UBC)Administração: Sony Music (UBC)ECAD verificado obra #5460012 em 11/Abr/2024