Carlos do Carmo

Os Putos

Carlos do Carmo

Coliseu dos Recreios de Lisboa: ao Vivo


Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.

Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calçÔes, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui, que é bruto.

Parecem bandos de pardais Ă  solta
Os putos, os putos
SĂŁo como Ă­ndios, capitĂŁes da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
SĂŁo os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

As caricas brilhando na mĂŁo
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que nĂŁo
Se a porrada vier nĂŁo deixo

Um berlinde abafado na escola
Um piĂŁo na algibeira sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor.
Compositor: Manuel Paulo de Carvalho Costa (SPA)Autor: Jose Carlos Pereira Ary dos Santos (SPA)Editor: Peermusic de Portugal Unipessoal Lda (SPA)Publicado em 1999 e lançado em 1978ECAD verificado obra #4204149 e fonograma #12014411 em 16/Mai/2024

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